sexta-feira, 7 de outubro de 2011

AMO, LOGO EXISTO


"Não devemos contentar-nos em falar do amor para com o próximo, mas praticá-lo".
Albert Schweitzer




AMO, LOGO EXISTO.

Ser ou não ser, eis uma questão de amor.

O amor e o “ser”
Uma interpretação de Paulo.

"Não devemos contentar-nos em falar do amor para com o próximo, mas praticá-lo".
Albert Schweitzer

Cogito, ergo dum ou "penso, logo existo"
Para René Descartes pensar garante a compreensão da existência. "Eu duvido, logo penso, logo existo". Para Descartes o ser humano é um ser pensante, independente - autônomo. Descartes questionou e colocou em dúvida todo o conhecimento aceito como correto e verdadeiro. Ao pôr em dúvida todo o conhecimento que, então, julgava ter, concluiu que apenas poderia ter certeza que duvidava.

Nem só Descartes com a famosa frase “Penso, logo existo” e William Shakespeare “Ser ou não ser, eis a questão” nos leva a pensar na existência. Talvez seja a questão mais polêmica e relevante da história da humanidade: A existência.
O apóstolo Paulo entendeu que sem o amor “eu nada seria” nada sou ou não sou ( verbo ser: existir)

“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse amor, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine. Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar os montes, se eu não tivesse amor, eu nada seria”. (São Paulo - Primeira carta aos Coríntios cap.13 ver. 1 e 2)

Mesmo que Paulo usasse “nada seria” apenas como uma força de expressão sem muito sentido literal, este não “ser” implica a inutilidade da vida. Uma vida sem sentido. O vazio da existência causa medo. O sentimento da não existência pode fortalecer a pulsão pela morte. A morte passa a ser a única solução para a não existência.
Na cópula do amor duas vidas que se amam trazem em suas entranhas e emoções um projeto de vida, um ser que só existe em seus sonhos; sonhos de amor. Um ser que existe; mas não ainda, isto nutre um ser antes de nascer. Na primeira fase, podemos tê-la quando da existência da vida humana, no ventre materno, onde é imprescindível a proteção ao feto, que indefeso merece o necessário anteparo contra agressão física e verbal. No nascimento, a criança precisa mais ainda de proteção, carinho e desenvolver-se com a presença do alimento, a companhia paterna e materna, a ternura e contato corporal. A criança passa descobrir-se e desenvolver as potencialidades através dos estímulos que recebe.

Não podemos mensurar os estragos causados em uma criança abandonada; quando não entra para criminalidade, torna-se uma pessoa com pulsão pela morte em alta, autoestima baixa, pedindo licença para viver. Em outras palavras é como se tivesse ocupando espaço; sem contar o alcoolismo e outras drogas ilícitas. Uma autodestruição inconsciente. A busca pelo não existir é constante, porque a existência se torna ameaçada. Amar e ser amado é uma determinação da nossa construção psíquica, a falta deste amor abre se uma lacuna na alma que as vezes são preenchidas por pseudos amores; que escraviza, é possessivo e dominador; paixão doentia.

Nosso desejo de amor incondicional é sempre frustrado nos nossos relacionamentos humanos porque nossa capacidade de amar é limitada. Por isso, carregamos desde a gestação, feridas que vão se acumulando e afetando nossa compreensão de mundo e de nós mesmos. Os mecanismos de defesa que desenvolvemos vão contribuir para reforçar essas interpretações erradas da realidade. Assim se torna uma pessoa retraída e insegura, tende a achar as pessoas hostis e a sentir-se rejeitada. Fantasia a síndrome da conspiração. Ela projeta sua própria desconfiança nos outros e acaba provocando justamente aquilo que mais teme: a solidão e a rejeição.

Em seu livro “Quem me roubou de mim” do escritor, filosofo, teólogo e padre; Fábio de Mello trata de forma filosófica e psicológica a questão de ser roubado de si mesmo, o sequestro da subjetividade. Quem se deixa ser sequestrado por emoções e paixões; o retorno para si é voltar a sua própria consciência, não se tornar escravo incondicional de relacionamentos possessivos e doentios. Mello traz o antigo sentido grego de paixão como escravidão, sofrimento passivo, submissão a uma ação exterior sobre o corpo. Amar e ser amado é essencial para a sobrevivência psíquica e espiritual. Deus amou o mundo.

Elson Medeiros

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