domingo, 6 de maio de 2012

Homem de ferro e Naamã


Tony Stark é o moderno  Naamã












 








O que uma armadura de ferro pode fazer a uma pessoa?  Na história de Tony Stark, o Homem de Ferro, ele é um cientista e empresário genial, Ph.D. em física e engenharia de automação. Nunca faltou dinheiro para seus projetos, pois herdou a fortuna e os empreendimentos de seu pai, aos 21 anos, quando este faleceu em um acidente. Dada a sua juventude, criou para si um estilo playboy bilionário, narcisista, prepotente, arrogante, fanfarrão e autossuficiente. Tudo para esconder a fragilidade de sua saúde.
 O homem de ferro é uma ficção, ainda que as características do personagem tenham sido inspiradas na vida de um milionário americano chamado Howard Hughes. E na vida real como funcionam as máscaras de ferro? Quanto maior a blindagem mais se revelam as fraquezas. O que poderia ser esta blindagem ou máscaras de ferro? Poderia sugerir o sucesso, a fama, o encantamento com os holofotes, os aplausos e etc.  Como disse John Maxwell: “Holofotes não constroem caráter, mas o revela.”
Pessoas como políticos, sacerdotes, pastores, astros do cinema, cantores famosos e celebridades em geral, são presas fáceis da hipocrisia que necessitam de blindagem de ferro. Muitos mascaram dores e crises existenciais diante da sociedade com sorrisos falsos e ostentações.  No entanto, quando estão só, são como os deuses da mitologia grega que se deprimiam pela ausência de adoradores. Parece uma angústia, não aceitam ter uma existência como seres humanos comuns. Reclamam dos paparazzis  e falta de privacidade, mas quando estão fora da mídia e dos fleches se deprimem. Por isso, não são raras as mortes de celebridades por overdose.  Fama dá poder e entorpece.
Os imperadores romanos eram considerados semideuses, eram adorados, e a história não nega: muitos deles como Nero, e Calígula  terminaram loucos. Festas de orgias e muito vinho eram comuns entre eles. Não precisavam reprimir suas fantasias - eram deuses - podiam tudo; não cometiam crimes, mas decretos. Abusos sexuais e  outras atrocidades não eram vistos como erro para esses semideuses. A coisa pública tratavam como privada. Deuses não prestam contas, não aceitam conselhos. A loucura e embriaguez dos antigos imperadores começava no momento que descobriam que eram humanos, que podiam morrer, serem envenenados.
Ser adorado, venerado, admirado... pode gerar uma sensação de onipotência. Poucas pessoas na história souberam lidar com o poder. Um soberbo e tirano no comando de uma nação ou instituição fará das pessoas seus escravos.
Quando se trata de questões divinas; Deus é o pretexto para as manifestações de tirania e absolutismo. Deus não escolheu anjos e super-homens para serem líderes, Ele escolheu gente de carne, osso, lágrimas, hormônios, insônias; gente com gastrite, hipertensão, medo - medo da morte, de fracassar, de empobrecer, da solidão, de escuro, de altura de elevadores e muitas outras fobias. Resumindo tudo isto resulta em um ser humano que não precisa de máscaras de ferro para esconder nada. Não podemos nos apoiar nisto para justificar falta de caráter. Mas, poder dizer que está doendo é um bom remédio.
No Getsemani, Jesus homem, não esconde sua humanidade. Ele disse para seus discípulos: “Minha alma está angustiada até a morte, fiquem comigo por um momento”. Ah, se todos os líderes fizessem o mesmo! Não haveria casamentos desfeitos, esgotamentos e inúmeros infartos.  Os “seguidores” de Cristo falariam sobre as angústias de suas almas  e isto não seria sinônimo de fraqueza.
  Um líder não pode mostrar fraqueza. Por isto se utilizam de máscaras de ferro. Velhos provérbios nos atormentam, tais como: “o mundo não foi feito para os fracos”. Demonstrar fortalezas pode ser uma maneira de esconder fraquezas. O ser humano precisa de momentos de cavernas como Davi e Elias. Não estou fazendo apologia à covardia, mas ninguém é valente o tempo todo. Declarar fraqueza não é fraqueza, mas fortaleza. Só os fortes sem máscaras  pedem ajuda, os fracos com máscaras de ferro parecem que não precisam de socorro. As máscaras escondem as lágrimas; a escuridão da alma. 
É um pouco estranho e difícil  falar ou escrever sobre fraqueza com as livrarias lotadas de livros de autoajuda e são os que mais vendem, títulos como: “Descubra sua força interior”. Quando não acham esta força interior, para fazer valer a pena o dinheiro que gastou, usam máscaras e enganam-se a si mesmos pensando: Funcionou! Sou forte!  Sensação sugestionável do livro de autoajuda. Superficialidade pura. Precisamos crer na Palavra de Deus que é a ajuda que vem do alto como diz a palavra: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza”.
Existe um provérbio interessante: “É preciso derrubar um gigante a cada dia”. Mas, Davi não era gigante mas derrubou o gigante Golias. Davi não conseguiu usar as armaduras de Saul, ele preferiu lutar como humano. O capacete (máscara), escudo, couraça e outras tralhas só iria atrapalhar Davi ser ele mesmo. Ele queria que Golias olhasse para sua cara.   Enquanto Davi preferiu lutar sem armadura, o general  Naamã precisava e se escondia atrás dela.      
Naamã era um homem de ferro do seu tempo, uma espécie de  Tony Stark, General das forças armadas do rei da Síria.  Era um homem valente, no entanto leproso.   “Porém”, “contudo”, “apesar disso”; apesar do valente, das armaduras que usava e guerras que ganhavam, Naamã era leproso(II Reis 5:1).  Por trás de uma máscara de ferro existe dor, medo e fragilidades. Como era difícil para Naamã lutar contra a sua humanidade, sua leprosidade. Sua família sabia de sua angústia.
 A família sabe tudo, faz de tudo, estraga tudo, conserta tudo e cura tudo. O que é a família? A família é o ninho que esquenta  e que esfria, que amamenta e que desmama, que elogia e que critica. É a família que nos faz crescer ou diminuir. Os “entre-tantos” e “poréns” são  resolvidos e perdoados entre família. Como disse  John McCain: “Não podemos esconder de nós para sempre a verdade sobre nós mesmos”. A família é uma espécie de espelho que não  deixa que nos enganemos a nos mesmos.
 Nossa família é nosso divã diário, sem hora ou dia marcado. O que seria de Naamã se não fosse sua família, que o aceitava sem as armaduras, escudos e espadas? Naamã tinha um lugar para guardar sua indumentária e ser ele mesmo.
Como somos vistos por fora? Somos tudo isso que aparentamos ser? Já ouvia os antigos dizerem que as serpentes atacam de medo; são venenosas para não serem envenenadas. O apóstolo Paulo diz que Deus usa vasos de barro para colocar seus tesouros, para que o seu tesouro seja valorizado e não o vaso.  
Nossas fraquezas se revelam nos “poréns” da vida; nos “entre-tantos” da vida; nos espinhos na carne que revelam nossas fraquezas e exalta a Graça de Deus em nossas vidas. Entre tantos e tantas outras coisas nos revelamos humanos, mesmo que lutamos o tempo todo para sermos de aço, “latão reluzente”, “olhos como chama de fogo”. Afinal de contas nossos olhos de vez em quando estão em chamas, vermelhos, mas de tanto chorar. Nossas lágrimas sinalizam que somos de carne e osso. Por que do  Éden até hoje lutamos  contra a nossa humanidade? Não há como escapar desta realidade, as máscaras só nos servem para períodos bem curtos. Logo alas caem.

Elson Medeiros


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