quinta-feira, 13 de março de 2014

A vida me aplicou esta peça!


A vida tem dessas coisas!
A vida me aplicou esta peça!
A vida é assim mesmo!
Vamos pensar um pouco sobre estas afirmações?
As afirmações acima  no senso comum virou letras de músicas, inspiração para poetas e até tema de livros.
Nestas frases a “vida” parece ser algo ou coisa que tem personalidade própria, ela decide como vai ser seu dia ou sua história. Existem  as catástrofes naturais que também muitas delas têm a participação humana, como por exemplo: uma casa em uma encosta que cai em meio uma tempestade; enchentes nas ruas que causam doenças e até morte, resultados do excesso de lixo nos bueiros; um acidente de carro que morre toda uma família e  o motorista estava correndo  140kh em uma estrada que só permite 80kh.
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”. Charles Chaplin
Mesmo sendo um admirador de Charles Chaplin não  concordo que a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
Lembro-me de ter visitado um presidiário (crime de atentado ao pudor), chorando no final da visita ele disse: “Agora tenho que ficar um bom tempo aqui. Fazer o quê? É a vida” . Sua argumentação é como uma explicação psicológica; não tenho tanta culpa assim são coisas da vida. Que vida?
Acredito que a vida  sem contar o plano teológico e filosófico da existência é uma seqüencia de ações e comportamentos que vão se amontoando ao longo de nossa história. Não podemos tratar a vida como um ser independente de nós com personalidade própria que não temos controle. Talvez o senso comum não dê conta das questões de herança familiar, cultural e histórica da vida de cada um em particular.
Já dizia Aristóteles que nós somos aquilo que fazemos repetidamente. O que fazemos repetidamente chamamos de hábito e as nossas ações são resultados de nossos hábitos. O que pensamos; o que lemos; o vemos e com quem nos relacionamos tudo isso determina como é ou como será nossa vida. A famosa frase de Johann Goethe pode elucidar muitas coisas sobre a vida que queremos: “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Saiba eu com que te ocupas e saberei também no que te poderás tornar”.
Um grande pensador e um dos maiores apóstolo do Cristianismo escreve uma carta para os Filipenses e diz: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. (ou nisto ocupe a vossa mente). Numa visão mais existencialista, nossa vida é resultado (com raríssimas exceções) de nossas atitudes e escolhas diárias.  
Todos os dias acrescentamos em nossa vida um fio de aço quase invisível; podemos chamá-lo de atitudes.
“O início de um hábito é como um fio invisível, mas a cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo, e nos prende de forma irremediável, no pensamento e ação”. Orison Swett Marden.

O psicólogo Daniel Goleman, em seu livro "Inteligência Emocional"  traz o conceito da inteligência emocional como maior responsável pelo sucesso ou insucesso das pessoas. A maioria das situações conflitantes no  trabalho, na família é resultado de não sabermos lidar com nossas emoções. Desta forma pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão, gentileza têm mais chances de obter o sucesso em várias áreas na vida.

Concluído esta breve reflexão, entendemos que não podemos ser fatalistas. O nosso Criador nos capacitou de uma inteligência que nenhum outro ser vivo tem; a consciência. Deus poderia ter impedido Caim de ter matado seu irmão Abel? Qual foi a intervenção Divina? Deus ficou de braços cruzados só assistindo do camarote celestial a miserabilidade humana? Não! Deus pediu Caim que controlasse suas emoções! Mas Caim fez sua própria escolha.

Elson Medeiros