quinta-feira, 7 de março de 2013

Mulheres no ministério é Bíblico?





Mulheres no ministério, o que diz a Bíblia?
 Por Elson Medeiros

          A história tanto bíblica quanto a secular, não nos privou de conhecer grandes mulheres, que foram heroínas de guerras físicas e espirituais, que nem a  tradição, nem o machismo e a discriminação conseguiram impedir que tais mulheres fossem usadas por Deus. O diabo sabe que as mulheres têm um poder de influência muito grande, tanto para o bem quanto para o mal, e procura alistá-las para seu reino. Deus tem um propósito mais excelente para as mulheres: usá-las em Sua obra.
Os textos mais usados pelos que não aceitam que mulheres exerçam o ministério, são: I Timóteo 2.11,12  A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio; 1 Coríntios 14.35  Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja;  Atos 6.1-6, ali não havia nem um nome feminino; outro argumento é que no VT, não tinha mulheres como sacerdotisas; eram consideradas imundas nos dias menstruais.  
Analisando os textos acima, é de suma importância observar  o contexto cultural e social da época e para quem foi escrito. Igrejas com influência do judaísmo, naturalmente mulheres, não podiam falar; isso levou Paulo a determinar que era vergonhoso mulher falar em público.

Há muitos que não aceitam o argumento que devem ser levado em conta a questão cultural e os costumes da época. A cultura e os costumes do povo em que foi escrita a carta tem que ser observada. Um dos grandes problemas de interpretação é o desconhecimento de costumes culturais.  Vou dar alguns exemplos de culturas e costumes da época de Paulo: Vinho - o apóstolo escreveu a Timóteo, algo  que não tem nada  a ver com o contexto cultural dos evangélicos no Brasil, 1 Timóteo 5.23  Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades;            1 Timóteo 3.8  Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância. Este vinho não era suco de uva como muitos dizem, Paulo não estaria preocupado com uma bebida comum.

Escravos, Gálatas 3.28; Gálatas 4.1; Gálatas 4.7;  Colossenses 3.11 e  Filemon 1.16, dá a entender que havia escravos entre os irmãos. No caso de Filemom fica bem claro que Onesmo era um escravo em sua casa. No VT o sacerdote podia possuir escravos, Levítico 22.11 
 É isto cultural ou não? Ou vamos aceitar a escravidão  como doutrina bíblica, em pleno século XXI?.
Ósculo santo ( o beijo ) Rm 16.16  Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todas as igrejas de Cristo vos saúdam. 1 Co 16.20  Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. 1 Ts 5.26  Saudai todos os irmãos com ósculo santo. Será que levamos ao pé da letra estas passagens como sendo doutrinárias? A resposta é, isto é totalmente cultural, não estaríamos pecando se não seguirmos este ensinamento!
O que nos leva a entender que I Timóteo 2.11,12  e 1 Coríntios 14.35  era uma questão cultural e local é que Paulo escreve outras cartas com palavras totalmente diferentes em relação ao ofício de mulheres; (Rm. 16. 1 Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo (diaconia) à igreja de Cencréia,). Fl. 4.3; Rm 16.3 -  Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus; Maria “que muito trabalhou por vós” Rm. 16.6; Júnia Rm 16.71; 1Co 11.5, mulheres profetizavam na igreja de Corinto. Isto quer dizer: elas “anunciavam a mensagem de Deus nas reuniões” (Bíblia linguagem de hoje).  Só aqui há seis referências que provam, que no geral, Paulo não só concordava como motivava o ministério feminino. A visão machista e discriminatória não entende e é mais fácil dizer que Paulo se equivocou ao dizer que I Timóteo 2.11,12  e 1 Coríntios 14.35  era local e cultural, assim como o caso do vinho, do escravo e do ósculo santo. 
 A cultura e os costumes do povo em que foi escrito, têm que ser observados. Um dos grandes problemas de interpretação bíblica, é o desconhecimento de costumes culturais. Os seminários deviam ensinar antropologia cultural com mais profundidade, não só para missionários, mas para a liderança em geral.


Mulheres na história cristã.

Segundo Robert G. Clouse ( introdução do livro, mulheres no ministério – Mundo Cristão ), os batistas foram atacados por um folheto do século XVII, era-lhes atribuída numa relação de erros, heresias e blasfêmias, a questão de “pregadoras do sexo feminino”. Clouse fala sobre mulheres batistas que pregavam na Holanda, na Inglaterra e em Masschusetts; afirma que em Londres as mulheres pregavam em um culto, e atraíam multidões


Frederick A. Norwood autor do livro Expandindo Horizontes: As mulheres no Movimento Metodista, (Triunfo sobre o Silêncio p. 152.). Conta o autor que João Wesley não aceitava que leigos ou não ordenados pregassem, mas logo descobriu e admitiu que seus ajudantes ou assistentes eram bons pregadores. Da mesma forma Wesley era resistente à idéia de mulheres falarem em reuniões, pregar e ensinar; mais tarde ele concluiu que as mulheres podiam exercer funções vocacionais, que antes não podiam por causa da tradição.
Originou-se na Alemanha  um grupo que combatia o formalismo da religião reformada e pregavam uma vida de mais comunhão com Cristo, e um viver diário que revelava essa comunhão. Dois nomes se destacaram: August Francke e Phillipp Jakob Spener.  Essa renovação de fé proporcionou às mulheres novas oportunidades em posições de liderança. Sempre que há avivamento e renovação o tradicionalismo cai e Deus muda as coisas. “Tradicionalismo e avivamento não andam juntos”. Sempre um cai para dar lugar para o outro.
Segundo Robert G. Clouse, Calvino ensinava que mulheres não podiam exercer autoridade sobre os homens, mas que a igreja deveria ser sensível à cultura ao seu redor e não ofendesse a sociedade quanto a estas questões  
    Em certa igreja em Malden, subúrbio de Boston, encontra-se uma placa de mármore com a seguinte inscrição: “ Memorial – Ver. Adoniram Judso – Nasceu: 09 de Agosto de 1788 e morreu: 12 de Abril de 1850. Lugar de nascimento: Malden. Lugar de sepultamento: o mar. Seu monumento: OS SALVOS DA BIRMÂNIA E A BÍBLIA BIRMANESA. SEU HISTÓRICO: NAS ALTURAS. O nome de sua esposa, Ana não está no memorial, mas a história não omitiu o quanto esta mulher foi usada nas mãos do Senhor. Foi a primeira mulher a sair do EUA como missionária.

Não podemos esquecer a rainha Isabel da Inglaterra, decidida a seguir o protestantismo. Em seu reinado foi organizada uma igreja nacional protestante. Adotou-se um credo protestante; os Trinta e Nove Artigos  se inclinaram para o calvinismo. A igreja protestante tornou-se oficial no país e a rainha, a autoridade maior da igreja. Em seu governo protestante, o país desenvolveu-se política e economicamente; a Inglaterra tornou-se um dos principais baluartes do protestantismo na Europa e depois para o mundo.

Sarah Osborn fez parte de um avivamento em Newport, Rhode Islanda, nos anos de 1766-67; os cultos em sua casa atraíam mais de quinhentas pessoas, afirma Robert G. Clouse. Ela foi muito criticada por permitir que negros frequentassem os cultos. Sarah foi tida como rebelde, mas declara que havia convidado homens para dirigir esse culto de evangelização, e como eles não  apareciam, ela mesmos tomou a iniciativa de liderar. Muitas vidas foram levadas a Cristo por Sarah Osborn. Nesse tempo muitos homens acreditavam que as mulheres não tinham condições de ser líder, porque seriam menos racionais, extremamente emocionais, mais sujeitas a doenças físicas e mentais.
Phoebe Palmer ( 1807-74 ) vivendo em Nova Iorque, sentiu a chamada para divulgar a doutrina metodista da santidade. Em suas publicações, incluíam uma revista mensal ( Guia para Santidade ) e o livro, “O Caminho para a Santidade”, que causaram um grande impacto teológico  nos metodistas da época. Ela liderou missões nas favelas de Nova Iorque.
 Catherine Booth, junto com seu esposo foram fundadores do Exército da Salvação; era pregadora e lutava contra a exploração de mulheres e crianças e publicou uma série de folhetos.
Outra grande ministra foi Hannah Smith, autora de famoso livro devocional, O Segredo do Cristão de uma Vida Feliz. No afastamento do seu marido do ministério, por motivo de adultério, ela continuou a pregar, ensinar e escrever. Ela liderava o movimento da santidade.
O nome mais falado entre os Adventistas do Sétimo Dia é: Ellen G. White, muitos dos seus seguidores hoje talvez não se lembram do nome, Guilherme Miller. Ele pregou o advento do Senhor por volta de 1843 e estava equivocado. Ellen  White destacou o sabatismo, como é mais conhecido entre os adventistas. Nem seu esposo Tiago White ficou tão conhecido. Segundo Maxwell, a Sra. White produziu mais de 40 mil páginas de material impresso. Ellen G. White foi a fundadora da Igreja Adventista do Sétimo dia. (C. Mervyn Maxwell, História do Adventismo, p. 206)



Parte de um tratado de quem entende do assunto,  Rev. Prof.  Carlos Alberto Chaves Fernandes, Professor de Novo Testamento do Seminário Teológico Presbiteriano do Rio de Janeiro
"Muito se tem dito dentro de nossas Igrejas sobre a questão da ordenação de mulheres para os cargos de ofício  de diaconato, pastoral e outros). Como não poderia deixar de ser, as diferentes tendências buscam, umas mais, outras menos, argumentos bíblicos que justifiquem seus pressupostos, suas teses e seu ponto de vista.
Dentro deste quadro, uns mais entusiasmados e, por vezes, totalmente tomados pelo que julgam ser “a verdade”, considerando que, por pressuposto, a Bíblia expõe, por si, esta “verdade”, acabam dizendo de modo precipitado aquilo que a Bíblia não diz.
                            
O N.T. é contra  mulheres exercerem ofícios ministeriais na Igreja?

A esta pergunta deve-se dizer que em todo o Novo Testamento não existe nenhuma afirmativa ou negação desta matéria. Ou seja, o Novo Testamento não diz: “somente homens podem e devem ser ordenados”, ou, ainda, “ mulheres não podem ser ordenadas para qualquer ofício dentro da Igreja” ou idéia semelhante a estas.

Mulheres no ministério de Jesus Cristo
                                                                                
          Mulheres  presentes no ministério de Jesus, e estas “lhe prestavam assistência com seus bens” (Lc. 8. 1 - 3), presentes na crucificação  (Mc. 15.40), no sepultamento (Mc. 15.47)  na Páscoa (Mc. 16.1). As mulheres faziam parte integrante deste ministério; foram as  primeiras pregadoras vocacionadas a anunciar as boas-novas do Evangelho: a ressurreição de Jesus Cristo! (Mt. 28. 5 – 10; Mc. 16. 9 – 11; Lc. 24. 4 - 11).

1.    Mulheres e o ofício apostólico

Paulo reconhecia Júnias como apóstola, (Rm. 17.6 RM 16.7 -  Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo).  Alguns teólogos ficam com a opinião de Epifânio que acreditava que Júnias era um nome masculino. Epifânio, o bispo de Salamina em Chipre, refere-se a Júnias em Romanos 16.7 como sendo um homem que veio a ocupar o bispado de Apaméia da Síria. Outros ficam com João Crisóstomo que se refere a Júnias de Romanos 16.7 como sendo uma irmã notável até mesmo aos olhos dos apóstolos.

 Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes,
``João Crisóstomo, Bispo de Constantinopla, é notório Pai da Igreja de tradição grega, foi Patriarca de Constantinopla, um dos mais importantes centros de propagação da fé, e é o pai antigo (345 – 407) de quem temos a maior quantidade de textos preservados, sendo provavelmente o maior pregador das Epístolas Paulinas da antigüidade. João Calvino mesmo faz destaques especiais a Crisóstomo que, depois de Agostinho de Hipona, é o patriarca da Igreja mais citado pelo Reformador de Genebra. Por esta razão é conveniente registrar algo sobre este mestre da antigüidade``.

A herança literária de João é a mais ampla do que de todos os escritores orientais. Dos ocidentais, só Agostinho se lhe pode equiparar. Com relação ao conteúdo, seus escritos oferecem material muito rico não apenas ao teólogo, mas também para a história da civilização. João Crisóstomo, por ser antes de tudo pregador e pastor de almas, bem realista, é o mais exímio orador sacro da Igreja grega.

Entretanto, de Epifânio, não tão notável assim, chegando mesmo a ser severamente criticado dentro da História da Igreja, exatamente por ter posições contrárias a Crisóstomo (mais bem formado que aquele), ser de formação bíblica inferior e estar ligado a uma questão de ordem política dentro da Igreja, único motivo que o fez galgar o posto de Bispo em uma cidadezinha sem importância no meio de uma ilha no Mediterrâneo, dele afirma a história que:

A “erudição” de Epifânio (...) não era profunda.(...) Seus escritos revelam freqüentes inexatidões e superficialidade.(...) representa um tradicionalismo que, antes de ser o resultado de séria especulação, procura justificação superficial (...) negando indiscriminadamente toda espécie de crítica histórica e de especulação filosófica.

Além disso, deve-se ter em conta que Epifânio era favorável a que se orasse em favor dos defuntos, visto que, para ele tal gesto era conveniente, proveitoso e admirável, pois, com isso,  se professa uma doutrina piedosa: os que oram por seus irmãos defuntos abrigam a esperança de que vivem. E sua oração ajuda os defuntos(...). A Igreja, diz ainda, deve guardar este costume. Posicionou-se também, de modo muito veemente, contra os chamados antidicomarianistas (cristãos que eram contrários à mariolatria que se difundia pela Igreja).

À luz do explanado pode-se afirmar, sem medo de equívocos, que Júnia era uma mulher, chamada por Paulo de “apóstola”, no exercício deste ofício da Igreja, visto fazer parte do grupo dos apóstolos de Jesus Cristo.



Este tema é tratado por muitos como se fosse um pecado; há pecados que precisamos confrontar  e não confrontamos. "Às vezes procuramos na Bíblia textos que nos são convenientes".  Se ministério feminino fosse uma heresia o novo testamento seria claro, e teríamos muitos textos bíblicos para condenar. Existem mulheres no campo missionário com ofício apostólico; até porque a palavra “missões” no sentido bíblico vem de "apostolém" Gr   
A referência a uma Maria “que muito trabalhou por vós” (Rm. 16.16 – o verbo aqui traduzido por “trabalhar” é o mesmo que Paulo usa para referir-se à atividade apostólica), revela que outras mulheres, que não as referidas na cena do Sepulcro Vazio, foram testemunhas do Cristo Ressurreto, como lembra o apóstolo Paulo (I Co. 15. 3 – 7), repetindo o que recebera da Igreja como tradição.  Carlos Alberto Chaves Fernandes.

           As Mulheres estavam presentes no dia de Pentecostes. O derramamento do Espírito foi também para elas (At. 2.17   E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos ).  As mesmas foram habilitadas por Deus para o ministério profético e outros.
          No Brasil as primeiras pessoas a serem batizadas com o Espirito Santo, foram Celina Albuquerque e Maria de Nazaré. Pode-se dizer que o movimento pentecostal no Brasil iniciou com a nova experiência, com duas mulheres.   A Igreja AD iniciou na casa de Celina Martins Albuquerque. Das 19 pessoas que iniciaram a nova igreja, 11 eram mulheres ( História das Assembleias de Deus no Brasil ) 

           Em Atos 1.8 entendemos que, quando  fosse derramado o poder do Espírito Santo, as pessoas passariam a ser testemunhas de Cristo. Assim as mulheres estariam habilitadas pelo Espirito Santo para testemunhar ( pregar ). Temos que admitir que a unção profética não era exclusividade masculina, ( Filipe tinha quatro filhas que profetizavam; At. 21. 9; Lc. 2. 36   Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara ); elas  falavam ao povo exortando, consolando e edificando.
          Em Filipo somente mulheres estavam ouvindo as mensagens de  Paulo, (At 16.13 e 17.4). Lucas destaca a Lídia, comerciante de púrpura,  o  Senhor lhe “abriu o coração” (At 16.14). Em Jope havia uma “discípula” ( At 9.36) de nome Tabita ou Dorcas, dedicada à obra. A presença de mulheres  no livro de Atos era marcante
  Mulheres trabalharam como diaconisas, como é o caso de Febe (Rm. 16. 1 Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia,). Em I Tm 3. 8 – 13 Paulo escreve ao diconato; no V. 11 ele dirige as mulheres;
Vr.8 Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância,
9  conservando o mistério da fé com a consciência limpa.
10  Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o diaconato.
11  Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo.
12  O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.
13    Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus.

Há registros de  mulheres que atuaram na ação missionária  na igreja primitiva (Fl. 4.3 -  E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida). Este “trabalho” missionário relaciona-se ao ofício de apóstolos. O exercício missionário, dentro da Igreja primitiva, está ligado à função de apóstolo.
Destaque-se,  Priscila e Áquila, que atuou em Roma, Corinto e Éfeso, nesta mesma função que Paulo; não era costume colocar o nome da mulher primeiro, conforme Rm 16.3 -  Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus; AT 18.26 -  Ele começou a falar ousadamente na sinagoga; e, quando o ouviram Priscila e Áqüila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus.  Conforme estas referências com o titulo  dado a Paulo e Barnabé, apóstolos, mais uma vez deve-se entender que o casal missionário Priscila e Áquila, eram, por isso mesmo, apóstolos, neste sentido restrito do conceito: enviados para um determinado fim, no caso, o missionário. Se na missão a mulher pode exercer funções ministeriais, por que não na igreja local? Havia mulheres que pregavam na reunião de adoração; 1CO 11.5  E, se uma mulher não cobre a cabeça quando ora ou anuncia a mensagem de Deus nas reuniões de adoração...BLH
         Jesus redimiu pessoas, formou uma igreja de pessoas. A Igreja nunca foi e nem pode ser um clube de homens ou de mulheres. Na Igreja de Cristo, homem e mulher, sem discriminação, são novas criaturas em Cristo (II Co. 5.17-  E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.) se alguém está em Cristo; não é se um homem, está em Cristo. A tradição do judaísmo influenciou muito o pensamento cristão sobre as mulheres. Os judeus agradeciam a Deus por não terem nascido mulheres.

Prof.  Carlos Alberto Chaves Fernandes. Teólogo Presbiteriano (http://www.carlosalbertosermoes.blogspot.com.br/)
 Em Cristo (e, por isso, na Igreja) tudo é novo! O trabalho, antes castigo imposto ao homem para com o suor do rosto ganhar o pão, passa a ser bênção;  as dores do parto, onde ainda permanecem (hoje, já até superadas no chamado parto sem dor), são vistas como possibilidades de geração dos novos filhos do Pacto da Graça. Esta é a razão porque Paulo, ao usar o termo “ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus”, usa o mesmo termo da mulher no parto: a nova criação que, por hora, envolve somente a Igreja, há de revelar-se e “vir à luz”. Esta expectativa é alegre e ansiosa: alegre por causa da nova criação que já está vindo à luz por meio da Igreja; ansiosa por causa do desejo profundo de que tal fato logo se concretize. Não é, pois, diferente com a mulher cristã no parto de seu filho. E, finalmente, a pena eterna, destino final da antiga criação no Pacto da Lei, foi superada em Cristo, no Pacto da Graça. Chega mesmo a beirar as raias da blasfêmia dizer que Jesus Cristo era tão impotente e fraco que poderia somente resolver nossas questões atemporais, pós-túmulo, ou, se for preferível, “espirituais”. A vida, mensagem e a obra de Cristo têm sérias consequências para a sociedade, e estas consequências iniciam-se na pequena sociedade chamada Igreja (nova criação), estendendo-se, desde já, à sociedade humana como um todo, visto que o objeto de Deus é a redenção não meramente dos seres humanos, mas de todo o cosmo. Por esta razão a Reforma, especialmente a calvinista, teve como alvo não um grupo de pessoas dentro da sociedade, mas toda a sociedade.
Homem e mulher não são iguais somente diante de Deus. Isso tem consequências sérias em Cristo, ou seja, na Igreja: os antagonismos, as discriminações e os papéis forçados socialmente com base em sexismo, foram superados. Esta é a diferença que deixa de existir, as demais permanecem: maternidade / paternidade, feminino / masculino e tudo o que se deriva como efeito desta causa primordial. Porém, em Cristo, ou seja, na Igreja, isso deixa de ter valor. Pode-se organizar a Igreja em moldes diferentes quer da sociedade, quer da antiga criação. Especialmente vendo-se que não existe nenhuma recomendação ou determinação de somente ocuparem cargos de ofícios, os homens, nem negativa explícita de mulheres ocuparem os mesmos: em Cristo, tudo se fez novo.
Deus, no Pentecostes, ao conceder Seu Espírito a todos os integrantes da comunidade cristã, necessariamente qualificou-os para o exercício dos dons e ofícios na Igreja. Tal fato está presente na eclesiologia do Novo Testamento, cujo melhor expositor é o Apóstolo Paulo. Para tal usou a figura do Corpo de Cristo (I Co. 12) como organismo integrado, onde, certamente, estão inclusos, conjuntamente, homens e mulheres. A integridade dá-se por complementaridade das funções (o que não é questão de sexo, mas de todos os membros do Corpo). Pluralidade e peculiaridade nas diferentes funções do corpo estão em função da idéia de conjunto e unidade. Ou seja, homem e mulher não estão simplesmente colocados acima ou abaixo.




As mulheres e as epístolas pastorais

Antes de tudo deve-se dizer que a questão da autoria das epístolas pastorais, se as mesmas são paulinas autênticas, se são deuteropaulinas, se foram escritas por um discípulo de Paulo ou por outro alguém, seja ele quem for, é uma questão fora de ordem, quando se deseja basear princípios para a aceitação ou não de mulheres no ministério. Está plenamente correta a afirmativa de que passagens não podem ser ignoradas pelos que almejam o ministério ordenado de mulheres nas igrejas evangélicas do Brasil [ii]. O fato de considerar-se, com acerto ou com erro, serem as Epístolas Pastorais paulinas ou não, não elimina o fato de, na nossa tradição reformada, e na Confissão de Fé de Westminster, tais epístolas serem consideradas inspiradas por Deus e, por isso, aptas e indispensáveis para questões de fé e mesmo de prática na Igreja.
Outro importante detalhe nasce, para uma boa verificação sobre o tema, do modo como o próprio Novo Testamento aborda a questão eclesiológica. Nota-se que, por exemplo, há listas de diferentes  dons em Coríntios e em Romanos, ainda que Paulo seja o autor de ambas as epístolas. Na Igreja de Corinto há profetas e profetisas, mas em Éfeso há somente apóstolos, profetas, evangelistas e pastores-mestres (Ef. 4. 11). Na Igreja de Jerusalém existem socorros que são atendidos por pessoas, mas que não recebem o título de diáconos (embora seja, na tradição teológica reformada, este o reconhecimento). Em Filipo a Igreja tem na sua liderança uma mulher influente, Lídia, mas isso não foi visto como regra geral e indistinta para todas as igrejas, mesmo sendo esta uma igreja paulina. As comunidades do autor de Atos dos Apóstolos destacam a função primordial de missionário, mas tal ofício não é mencionado em nenhuma das igrejas paulinas. Éfeso é uma comunidade paulina, da qual se diz ter presbíteros, em Atos, mas tal ofício não é reconhecido pelo autor da Epístola aos Efésios no corpo da mesma. Pode-se, ainda, destacar e enumerar outras semelhanças e diferenças no modo de se organizarem as diferentes comunidades descritas no Novo Testamento.

É o momento de muitas mulheres saírem do preconceito e do anonimato e começarem a fazer a obra do Senhor. Muitas já o fazem. No campo missionário há uma boa parte de mulheres, e muitas fazem todos os ofícios pastorais. Quando fui a Portugal, conheci uma missionária Brasileira, que tinha uma igreja em sua casa, e o batismo dos novos crentes, ela realizava  na banheira da sua casa. Pela ótica da tradição denominacional ela pode estar errada, mas pela ótica missionária ela está fazendo a obra do Senhor. Nós tradicionalizamos por demais o evangelho, e complicamos a obra do Deus.
  
A Confissão de Fé (presbiteriana) destaca que:

Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.

Não podemos interpretar todo o Novo Testamento baseado em  I Timóteo 2.11, 1 Coríntios 14.35 Devemos levar em conta o contexto cultural e social, da época e o local em que foi escrita a carta. Igrejas com influência do judaísmo, naturalmente mulheres, não podiam falar; isto levou Paulo a determinar que era vergonhoso mulher falar em público.  De modo algum estou desmerecendo a epístola e nem excluindo-a da canonizacão do Novo Testamento. Temos que  ler esta epístola dentro do todo do Novo Testamento.
É preciso uma exegese mais profunda para não pensar que Paulo se contradiz. A Iª epístola a Timóteo e 1 Co 14.35, não podem ser a chave para todo o NT no que diz respeito ao ministério de mulheres. Que diz o Professor. e Rev. Carlos Alberto? 
 A pergunta fundamental que se há de fazer é: Deve ser submetido todo o restante do Novo Testamento à experiência eclesiológica da comunidade de I Timóteo? Se a resposta fosse “sim”, então deveríamos rasgar todo o restante do Novo Testamento, considerar Paulo equivocado, Filipe e suas filhas incorretos, Lídia uma pretensiosa, Priscila uma insubmissa à vontade de Deus (que se expressa pela liderança exclusivamente masculina e, por isso, de Áquila), considerar as mulheres profetisas de Corinto, ainda que com véu, mulheres que estão se escondendo atrás dos mesmos para justificar uma posição imprópria para si mesmas...

Já houve caso em tribo indígena, de uma missionária ficar meses esperando  um pastor para batizar os novos crentes. Não podia orar por ninguém com imposição de mãos e nem dar a bênção apostólica. Isto é a tradição humana travando a obra missionária.
 Voltando à pergunta inicial: O Novo Testamento REALMENTE nada tem  contra à ordenação de mulheres." Ordenar ou não ordenar mulheres para o ministério da Igreja deve ser uma questão de opção denominacional e eclesiológica e não doutrinaria.







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